sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Segurança alimentar (caracóis)

Essencialmente dois motivos levam a que alguém decida dedicar-se à helicicultura. O primeiro prende-se com o interesse em proteger uma determinada espécie e desta forma melhorar aquilo que a natureza nos oferece. O segundo motivo é de ordem económica, o que faz com que muitos tenham a ideia de que a helicicultura é um negócio muito rentável. Contudo, pode não ser, pois é uma arte de difícil execução. O caracol tem como base um ecossistema frágil e actualmente enfrenta alguns perigos, como a poluição ambiental, o excesso de procura e as formas de agricultura agressiva.
A criação de caracóis comestíveis em cativeiro (Helix Aspersa Maxima e Helix Aspersa Muller) está a evoluir lentamente em Portugal e promete ser um nicho de mercado promissor. Praticada há quase meio século em alguns países europeus, nomeadamente em França e na Itália, está só agora a dar os primeiros passos na Península Ibérica. Nos últimos anos, o aumento da procura deste molusco para consumo humano fez com que os métodos de produção passassem a ser semi-industriais.
De uma forma geral, podemos considerar três métodos distintos de produção de caracóis. Um sistema intensivo de exploração, no qual os animais são criados em bancadas sobrepostas. Estes locais encontram-se completamente fechados e as condições de temperatura, humidade e luz solar são monitorizadas de forma permanente, no sentido de possibilitar um maior número de posturas por ano e assim maximizar os rendimentos.
Um segundo método baseia-se na criação dos animais o mais aproximadamente possível do seu ambiente natural – em canteiros a céu aberto, com sementeiras específicas, a fim de proporcionar o alimento e o abrigo necessários. Este processo de criação apresenta uma taxa de mortalidade muito elevada, pelo que se torna menos rentável economicamente que o anterior.                                             Imagem de: emule
Por último, e talvez o mais inovador dos métodos de criação de caracóis para consumo humano, é aquele que de alguma forma conjuga os dois métodos anteriormente mencionados. Separa as três fases cruciais da vida de um caracol – postura, eclosão dos ovos e engorda. Deste modo, é possível abordar cada uma das etapas tendo em conta a sua especificidade, melhorando assim a prestação final: maior número de nascimentos e menor número de mortes.
Esta página faz parte de um trabalho e estudo desenvolvido por “Fernando Amaro” cujo tema é: SEGURANÇA ALIMENTA NA PRODUÇÃO DE CARACÓIS (Controlo da alimentação de base vegetal)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Controlo de pragas

Controlo
Caracóis terrestres e lesmas podem ser encontrados em qualquer local mas em geral habitam locais que ofereçam abrigo, humidade adequada, alimento abundante e geralmente locais que tenham a disponibilidade de fonte de cálcio.

Monitorar (vigiar) a presença destas pragas através da contagem de ovos, organismos adultos ou da vistoria das plantas é uma actividade obrigatória para que o produtor saiba quando agir e o faça de modo a promover o equilíbrio ecológico de todo o sistema de produção (Planeta Orgânico, 2004).

O controlo químico geralmente é realizado com moluscidas de alta toxicidade, representando riscos para animais domésticos, crianças e de contaminação de fontes d’água. 

Apresentam actuação restrita a pequenas áreas por actuarem atraindo os caramujos que se alimentam do veneno e morrem horas ou dias depois. Este fato impede a colecta e a eliminação dos cadáveres dos caramujos, que atraem moscas cuja desova ocorre nas partes moles dos animais em putrefacção, constituindo novo problema à saúde pública (Barbosa et al, 2002).

Uma nova tecnologia ambiental colonizadores italianos no século XIX (Valduga, 1985). Na Europa o consumo de caracóis terrestres continua intenso, tanto de animais colectados na natureza como os cultivados em criadouros.
                                                                               Imagem de: plantasonya
NOCIVIDADE
A ideia de nocividade não é natural, mas social e se aplica às atividades humanas que possam sofrer prejuízos motivados por acção de outrem. Os caracóis e as lesmas podem ser nocivos como pragas e como vectores de parasitoses.

São considerados pragas quando sua densidade populacional acarreta perdas económicas ao homem, na competição pelo alimento por ele produzido. (Garcia, 1999). Há uma gama de caracóis e todas as lesmas que podem, eventualmente, tornam-se pragas em jardins, hortas, pomares e mesmo em grandes lavouras, acarretando prejuízos significativos. Os métodos mais comuns de controlo são: catação, utilização do cloreto de sódio (sal), destruição por água quente e utilização de iscas lesmicidas.

Uma nova tecnologia ambientalmente correcta para o controle de lesmas e caracóis estará em breve disponível para os produtores brasileiros. São iscas à base de fosfato de ferro (FePO4) como ingrediente activo que atraem as lesmas e os caracóis que, ao ingeri-las param de se alimentar, tornam-se mais lentas e sua epiderme fica endurecida até morrerem entre três e seis dias. Este efeito fisiológico traz protecção imediata às plantas. 

As lesmas envenenadas não excretam o produto pois o modo de acção não é baseado na perda de água, o ingrediente activo causa mudanças patológicas na base celular do tubo digestivo e no hepatopâncreas das lesmas.

A aplicação deve ser feita no início da infestação e reaplicar assim que a isca for consumida ou no mínimo a cada duas semanas. Devido à natureza sazonal dos moluscos, espera-se que sejam necessárias no mínimo 4 (quatro) aplicações por safra, com o objectivo de quebrar o ciclo de reprodução da praga.

O produto deve ser espalhado sobre o solo, próximo às plantas a serem protegidas, e a aplicação deve ser feita preferivelmente no final da tarde, visto que lesmas e caracóis se locomovem e se alimentam durante a noite ou bem cedo pela manhã.
A grande vantagem deste tipo de tecnologia é sua baixa toxicidade a outros organismos, caracterizando-o assim como um produto ecologicamente correcto.
Anne Gil Mendes, Bióloga
                                                          Imagem de: ecoblogs
PS.
Não de vemos esquecer que para os agricultores estes animais representam um verdadeiro prejuízo para as lavouras, floristas e jardineiros.

Os ambientes húmidos favorecem o aparecimento destas pragas. Devoram as plantas jovens, os botões, os caules e as raízes. Também podem roer e consumir raízes, bolbos e tubérculos. Depositam os ovos na terra das plantas.

TRATAMENTO
O método biológico de eleição consiste em recolher estes animais e colocá-los onde são úteis, a processar o lixo ou numa caixa de compostagem. Para quem não encontrar melhor solução e os quiser matar basta deitar sal sobre eles porque são muito sensíveis à desidratação.

Como são animais de hábitos nocturnos a melhor altura para os apanhar é à noite ou de madrugada.
Para os atrair e recolher em maior quantidade podem usar-se iscos como casca de batatas, uma laranja aberta ou folhas de alface fervidas.

Quem não quiser perder tempo nem tiver consciência ecológica mais apurada pode resolver o problema aplicando um produto químico específico para caracóis e lesmas.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ferramentas para um negócio mais sério.


Para quem quer se dedicar mais a sério no negócio de caracóis, então tome em conta:
Para além das ferramentas de jardinagem usuais (pá, enxada, ancinho, macete, vassoura), é necessário contar-se também com as seguintes:

Ferramentas e equipamento, para se poder ter uma cultura de caracóis bem sucedida:

? balança pequena, para pesar os caracóis e os alimentos
? fita métrica, para medir os caracóis e as suas gaiolas/recintos/viveiros
? colher de pedreiro, para escavar e limpar os recintos de criação
? contentor de água e regador para manter o solo húmido e para encher os bebedouros
? bebedouros ou comedouros (pratos)
? muito importante: um caderno para apontamentos, para anotar meticulosamente a actividade exercida (p. ex. trabalho, materiais e alimentação) e exploração de cultura de caracóis em si.

Cuidados a ter.

Alimentação de caracóis.
Os caracóis devem ser alimentados depois do pôr-do-sol. Os alimentos não devem ser duros ou bolorentos. Os restos devem ser retirados na manhã seguinte. Os bebedouros devem estar sempre cheios de água. É essencial não esquecer da limpeza do viveiro e da remoção de detritos. Também devemos ficar atentos as condições das redes e mosquiteiro, caso estejam rasgadas devemos repara-las.

domingo, 21 de novembro de 2010

HACCP

Imagem original. josephmorgan.ws
Negócios de caracóis
Implementação de sistemas de HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) ou (Hazard Analysis Critical Control Point ou APPCC)
No que toca à aplicabilidade da metodologia HACCP como forma de analisar metodicamente todo o processo e de determinar de modo exacto todos os potenciais perigos existentes, conclui-se que:, São altamente recomendáveis todas as boas práticas descritas anteriormente, actuando estas como medidas de controlo no decorrer dos diversos processos;, Os terrenos devem ser alvo de um período de descanso e de uma limpeza. A estabilização dos mesmos deve ser efectuada, por exemplo, através da aplicação de cal viva. Desta forma, são possíveis terrenos mais férteis e saudáveis para posteriores nengordas;, É de extrema importância a elaboração de cadernos de encargos, onde são registadas todas as operações diárias realizadas.

Só assim é possível executar um tratamento estatístico dos dados e perceber, por exemplo, o efeito das variações climatéricas na biologia do animal. E desta forma melhorar os processos internos;, Tendo em conta que em explorações intensivas o alimento disposto naturalmente ao caracol é insuficiente, existe a necessidade de complemento alimentar através de ração composta.

Neste caso, pode ser usado o milho e a soja, não descurando a importância do fornecimento de cálcio; Considerando a vulnerabilidade biológica do caracol quando afectado por algum tipo de contaminação biológica, este sucumbe quase de imediato. Daí que não tenha sido identificado nenhum tipo de patogénico alimentar humano em níveis considerados inaceitáveis;, Em relação às contaminações químicas, aí sim consideraram-se relevantes e com significância elevada. No fundo, estamos a trabalhar num terreno agrícola, onde não conhecemos completamente o passado das terras e, sobretudo, as alterações/contaminações a que estão sujeitos os lençóis de água de abastecimento (por norma o abastecimento de água é realizado através de captações próprias). É importante a monitorização dos valores analíticos deste elemento.

Não descurando a legislação que enquadra o caracol como elemento sujeito a controlo analítico no que respeita à microbiologia (gastrópode vivo), considera-se da maior relevância, do ponto de vista da segurança alimentar, ter igualmente em conta a presença de elementos químicos neste molusco. Como forma de avaliar aquilo que se designa por ponto crítico de controlo (PCC), aconselha-se a realização de uma análise laboratorial a uma panóplia
de substâncias químicas – pesticidas (p.ex. piretróides), imediatamente antes de iniciar a apanha do animal para venda. Conseguiremos, assim, ter uma garantia fiável de que aquilo que se irá comercializar é seguro para o consumidor.

Fernando Amaro, coordenador técnico de Higiene e Segurança Alimentar do

O sistema HACCP é uma importante ferramenta na protecção alimentar, consistindo num método preventivo. A sua implementação previne/minimiza os riscos alimentares, através da eliminação ou redução da probabilidade de ocorrência de uma eventual toxinfecção alimentar. A análise de potenciais perigos para a saúde dos consumidores nas actividades do sector alimentar, a identificação das fases/ locais onde esses mesmos perigos podem ocorrer e a decisão de quais são críticos para a saúde do consumidor são os principais objectivos do HACCP. Esta metodologia permite que as entidades se focalizam nas fases e condições de produção críticos para a segurança alimentar, assegurando através do seu controlo que os seus produtos são seguros em termos de saúde dos consumidores.

O HACCP é passível de adaptação às diferentes necessidades de gestão de cada entidade, aplicável a todas as fases da produção, transformação e distribuição de géneros alimentícios, independentemente do tamanho da organização.

Cuidados de higiene com o caracol

Imagem original: agranelemaisbarato
o helicicultor
A SEGURANÇA E A QUALIDADE ALIMENTAR É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA NA CRIAÇÃO DE CARACÓIS.
Este tipo de exploração exige muitos cuidados na sua produção.
O caracol, este gastrópode necessita de humidade e temperatura amena, estes são requisitos ideais para a sua produção e também para a propagação de doenças. Assim, existe a necessidade de manter as instalações sempre limpas, sem excrementos, restos de alimentos e de animais mortos para, deste modo, evitar ao máximo o aparecimento de doenças. Não podemos esquecer que os campos agrícolas estão cheios de pesticidas e químicos e algumas áreas do solo contém águas contaminadas.
Quando pedir um petisco desta natureza, sejam caracóis, pernas de rãs ou lesmas fritas, lembrem-se da segurança alimentar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Maternidade de caracóis

Eu pessoalmente, como não sou criador mas sim um curioso dos caracóis, prefiro fazer reciclagem de materiais e aproveitar como estrutura física de uma ideia ou seja: Artesanal. Existe na vizinhança diversos materiais recicláveis para o inicio e experiência de um negócio.
Encontramos muitas vezes móveis, paletes, plásticos, tijolos abandonados e uma infinidade de materiais que possamos utilizar em nosso proveito, até a iluminação de um barracão pode ser feito com o aproveitamento de luz natural, através de água, lixívia e garrafas plásticas. 
O Objectivo no meu caso é a produção artesanal ao menor custo.

Para quem quer pensar mais alto, rápido e quer investir, deixo aqui o exemplo de um dos produtos que se encontram no mercado. 
Aqui temos um exemplo de uma maternidade de caracóis. Este abrigo-maternidade, foi posto à venda em Faro por 2.500,00 euros. Encontra-se nos classificados OLX.
Esta é a designação do anúncio.
Vendo maternidade para criação de caracóis.

Especificações.
Câmara equipada com regulação de temperatura, concebida como maternidade para criação de caracóis; marca VIZUETE, S.L- Sevilla; larg:3,70m x comp:4,80m x alt 2,00m: nunca foi utilizada (nova)
Aqui temos uma forma controlada de protecção e controle dos caracóis.